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O Pequeno Príncipe em cordel

O livro mais traduzido da história depois do Alcorão e da Bíblia, chega numa adaptação pernambucana em linguagem de cordel pela editora Carpe Diem. O Pequeno Príncipe é a história de um menino e sua busca pelo verdadeiro valor da amizade, uma história mágica, sensível, comovente e as vezes triste, e só aparentemente infantil numa primeira leitura, mas com grande teor poético e filosófico, ao ponto de ser definido como uma das maiores obras existencialistas do século 20 pelo filósofo alemão Martin Heidegger.

 

Somente agora 70 anos após a morte de Antoine de Saint-Exupéry e “O Pequeno Príncipe” ter se tornado uma obra literária em domínio público que o escritor pernambucano Josué Limeira conseguiu publicar sua versão do clássico no formato de sextilhas – predominância de rimas em linhas pares entre si, conservando as demais em versos brancos (sem rima obrigatória). Conta ainda com dezenas de ilustrações de Vladimir Barros cujos traços ficam entre a xilogravura e a estética armorial.

 

A viagem com as Asa Branca.
A viagem com as Asa Branca.

A história é basicamente a mesma, mas com algumas particularidades como sua pele que é mais morena e as roupas remetem ao maracatu e ao cangaço. Os cenários são áridos e os pássaros responsável por fazê-lo voar é o asa branca – eternizado na canção de Luiz Gonzaga. O rei de Exupéry vira o Rei do Maracatu. O Homem Vaidoso é encarnado pelo Homem da Meia-Noite, figura pública do carnaval pernambucano – um dos mais tradicionais bonecos gigantes de Olinda. Sua rosa solitária é representada pela flor do mandacaru. O livro continua atraente, mágico e provocante na recriação de Josué Limeira e do ilustrador Vladimir Barros. Para ser lido por crianças e adultos que acreditam num mundo melhor onde o essencial é invisível aos olhos.

Pela internet é possível adquirir a obra no site da editora Carpe Diem.

 

“A gente só conhece bem as coisas que cativou.

Os homens procuram em lojas algo para dar valor.

Eles não tem mais tempo, a raposa declarou.”

 

Para a pesquisadora de literatura de cordel Shirley Ferreira, em entrevista ao Jornal Correio Braziliense, esse tipo de adaptação vai na contramão da tradição dos poetas cordelistas: “O comum é criar a história dentro do regionalismo, com acontecimentos recentes, na oralidade e escrita. Não é todo dia que um autor se dispõe a pegar um clássico e transformar em cordel. A proposta preserva o encantamento da ficção, a partir de novas maneiras de contá-la e enaltece o cordel”.

 

Ainda, para o mesmo jornal o estudioso e cordelista Meca Moreno explica que, desde os primórdios do gênero literário, é frequente o diálogo com cinema, teatro, mitos religiosos. O cordel não só adapta e é adaptado como bebe na fonte da tradição. “Esse novo movimento, de transformar em cordel obras literárias, sobretudo no formato de livro ilustrado, é muito positivo. Aproxima de crianças, adolescentes e divulga a linguagem para o público em geral”, conclui.

 

 

Clássicos que também vivaram cordel:

 

Lampião & Lancelote – de Fernando Vilela, editora Cosac Naify, 51 págs., R$ 57. Do original: “O rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, de Thomas Malory”

 

A megera domada em cordel – de Marco Haurélio, editora Alexandria, 48 págs., R$ 25. Do original: “A megera domada, de William Shakespeare”.

 

Alice no País das Maravilhas em cordel – de João Gomes de Sá, editora Alexandria, 32 páginas, R$ 37 – o clássico de Lewis Carroll

 

O corcunda de Notre Dame em Cordel, de João Gomes de Sá, editora Alexandria, 48 páginas, R$ 25, original é de Victor Hugo.

 

FONTES:

Correio Braziliense 

Vip Cidades

Folha de São Paulo